Em
5 de novembro de 2015, o verde das árvores do distrito de Bento Rodrigues (MG),
localizado a 35 km do município de Mariana, deu lugar a um marrom com textura
áspera. O local foi inundado por mais de 60 milhões de metros cúbicos de
rejeitos de minério de ferro, decorrentes do rompimento de uma das barragens da
mineradora Samarco, que é controlada pelas empresas Vale e BHP Billton.
O
“tsunami” de lama destruiu distritos e casas, deixou moradores desabrigados e
matou 19 pessoas. No total 35 cidades no estado de Minas Gerais e 3 no Espírito
Santo foram afetadas. As consequências para o meio ambiente também foram
péssimas, visto que o mar de areia, ferro e outras substâncias arrasou com a
mata ciliar do Rio Doce (quinta maior bacia hidrográfica do país), contaminou
suas águas e ainda provocou a morte de 11 toneladas de peixes e outros
organismos.
Um
ano depois da tragédia, considerada o maior desastre ambiental do Brasil pelo
Ibama, o Ministério Público Federal denunciou 22 pessoas das empresas
responsáveis pela barragem. Elas vão responder por homicídio qualificado com
dolo eventual – quando se assume o risco de matar –, crimes de inundação, lesão
corporal, desabamento e crimes ambientais.
Lado
positivo
O
professor Fabiano Melo relata que se existe algo bom a ser tirado do acidente,
é a oportunidade de recuperar a Bacia do Rio Doce. “Esquecemos de todo o
histórico negativo de ocupação humana na bacia, que remonta décadas e que já
vem destruindo o rio, matando seus peixes e sua flora. Agora, com o desastre, é
como se a população prestasse maior atenção a esta causa, que é a restauração
ecológica”, diz.
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